| Alguns poemas, algumas poesias
 

foto nei pinto.2007

Distante
Salvador.1976

Uma cidade no sertão...
um homem,
uma mulher.
Uma família.
Que saudade no coração.

Canto
Salvador.1991

A perguntar por mim...
sua voz, tenho ouvido,
Mas, já perto do fim,
não tenho respondido.
Amiga, na verdade,
já não tiro do peito
mi’a própria vontade.

A uma desconhecida
Guanambi.1971

Ao ver o sol que descia
no horizonte, imaginava:
- se a ti tivesse, findava
toda dor; nascia a alegria.

Oh! Quão lindo o sol se por...
Solitário, esqueço tudo.
Mãos no rosto - fico mudo.
Que saudades, meu amor!

Veio a noite e me encontrou
aqui - olhar triste e cansado,
para as estrelas, voltado,
e sem saber onde estou.

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Saudade
Duro som terrível toa de pólo a pólo (Garret)
Salvador.1975

Sau-da-de...
Sau-da-de...
fim de tarde, céu lindo.
Sinos badalam na igreja!

Se fosse um sino,
por certo eu soaria
Sau-da-de...
sau-da-de...

Saudade não tem gosto,
mas o sinto.

Se fosse um sino,
seria sau-da-de,
que de mim toaria.

Uma flor
Salvador.1975

Cidade grande, dura,
máquinas, homens,
Homem-máquina,
germe do asfalto.

A massa humana nos edifícios
armados na avenida.
Grande palco
para a dor da vida.

No meio da massa
um germe humano, fruto do desejo,
foge do bloco,
da vaga
e do peso.

No fim do túnel, o céu aberto.
Entre o asfalto negro
e o olhar incerto,
surge uma flor - o amor!
que encanta e amolece
o coração metálico.

Soneto I
Salvador.1982

Importa a ti, minha amiga,
ver esta paixão sem leito,
que corre, solta, em meu peito,
abrindo grande ferida?

Diz-me. Acaso preocupas
com o brilho das estrelas?
E tens tempo para vê-las?
- Não! Disso tu não te ocupas.

Deixas rolando por terra,
junto c´os raios do sol,
meu amor, meu arrebol,

que por fim, triste se encerra.
E sofres, amiga minha?
- Não. Amor é que não tinhas.

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Desencanto
Guarujá/SP.1983

Veio o amor,
como das outras vezes,
buscando pousada.
Calmo, assentou
entre reveses
de uma revoada.

Muito ficou,
seu corpo franzino,
à luz do luar.
De novo voou.
- Triste destino!
Cansou de esperar.

Chega o tempo.
A saudade veio.
Com força, abraça
Romeu, desatento,
ainda vivo, mas alheio
a tudo que passa.

Doação
Salvador.1997

Ah! Esse amor insano
que me escapa do peito,
escoa-me pelo corpo,
doce, e me deixa louco.

Ah! Esse amor profano,
que me conduz ao leito,
minh´alma delicia,
da dor me distancia.

Bem sei não ser eterno,
mas este amor o é.
E entrego-o por mim mesmo,
não o faço a esmo.

A mim cabe ser terno
em tudo que fizer.
Mas ninguém pode tê-lo
sem que tenha meu zelo.

Mar de dor
Salvador.1999

A vida é assim mesmo,
um grande mar de dor.
Das águas, poucas vezes,
emergem luz e amor.

E, a castigar-nos sempre,
raios, ventos, tormenta
cobrem-nos o horizonte.
E o sofrimento aumenta.

Nada traz segurança
para um viver sem dor.
Nem nos dá esperança

quanto a um viver em paz.
Ah! toma-me o terror,
de nada ser capaz.

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Ainda choro Guanambi
“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou
sobre ela (Lucas, 19-41)”
Salvador.2002

Até quando, Guanambi,
Ainda chorarei por ti?
Acorda, minha princesa,
que o mau tempo está por vir.
Prepara já teu porvir,
retoma as tuas defesas.

Até quando, Guanambi,
Ainda chorarei por ti?
Recusastes os meus braços.
Por isso, muito sofri.
Mas a dor, ainda assim,
Não me corta nossos laços.

Até quanto, Guanambi,
Ainda chorarei por ti?
Sinto, bem perto, a tormenta.
Turbilhão que assusta a mim,
Enquanto, alegre, tu ris.
- A maldade, tu apascentas.

Até quando, Guanambi,
Ainda vou chorar por ti?

Você
Salvador.2003



Você é a rosa mais branca
que eu já colhi.
Sei de seus espinhos,
mas neles nunca me feri.
Suas mãos me tocam,
são pétalas de flor.

É como alisar a seda,
como tocar o orvalho

Você é a manhã mais doce
que eu já vivi.
Sei de suas tormentas,
mas nelas nunca padeci.
Seus lábios me beijam,
lavam-me o torpor

É como alisar a seda,
como tocar o orvalho.

Lua
Salvador. 2002



Bela, ontem, estava a lua.
Porém por não mais tê-la,
imaginei na luz dela
contemplar a imagem sua.

Brilhava o fulgor lunar,
resplandecendo em meus olhos.
Oh! quão fortes meus abrolhos,
sem seu semblante avistar.

Recolhi da noite os raios
e em minhas mãos retive-os
com o brilho das estrelas.

Mas, a manhã trouxe o sol
e meus olhos o arrebol
ressentido de não vê-la.


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