POR ARI DONATO
O ponto de encontro da juventude de Guanambi, para conversa, namoro, troca de informações e diversão, nos últimos anos, deixou de ser no centro da cidade, como ocorria até meados de 1980.
Quase todo o movimento transferiu-se para a Avenida Santos Dumont, em frente à Praça Henrique Donato (Praça do Feijão), no Centro Administrativo Municipal. Às sextas-feiras e aos sábados, dezenas de jovens se reúnem nesta área, onde há pequenos bares, para comer, beber e assistir a shows.
O movimento vai até a madrugada, é fraco aos domingos e dificilmente acontece de segunda a quinta-feira. O local é chamado carinhosamente de "Asfalto", numa alusão ao fato de a avenida ter sido o primeiro trecho na cidade a receber pavimentação asfáltica. Pontos assim, de grande afluência, mas sem estrutura, sem organização, são normais em cidades pequenas, para encontros e passeios.
Na falta de jardins e de praças adequadas e, principalmente, cultura para tanto, a juventude de Guanambi sempre se reuniu em locais semelhantes. Na década de 60, até metade dos anos 70, os passeios noturnos de finais de semana eram na Praça Gersino Coelho, passando pela Rua Dois de Julho, até a Praça Coronel Cajahyba (Praça da Feira), em quase 500 metros de pista, onde havia um cinema, bares, sorveteria, restaurante e casas comerciais.
O volume de automóveis era pouco e, tão logo começou a intensificar, a administração municipal cuidou de evitar o tráfego de veículos pelo local nas noites de domingo, quando a rua era invadida por jovens de todos os bairros da cidade.
Tudo está mudado, com a derrubada dos prédios comerciais, mas, na época, destacavam-se Sorveteria Drink, Restaurante Meu Ranchinho, Casa Stella, Sorveteria e Restaurante Xuá, Flórida Magazine e as pequenas escadas nas portas do Banco da Bahia e do Banco do Nordeste do Brasil (agora, Banco do Nordeste), onde se formavam grupos de rapazes à espera do início da sessão noturna do Cine Sorbone, inicialmente às 20 horas, depois transferida para as 20h30min.
Esse movimento no centro da cidade perdurou por quase duas décadas, até que a administração municipal decidiu derrubar todo um quarteirão, toda uma ala da Rua Dois de Julho.
Antes disso, um grupo de grafiteiros deselegantes, escreveu nas paredes dos belos prédios frases grosseiras como "Esta é a rua dos bestas (sic)", e denominou de "Rua do sobe-e-desce" à bela Dois de Julho. Foi o começo do fim. Insensatos, juntaram-se ao bloco dos que estavam destruindo a história da cidade | |