Panorâmica de Guanambi, em foto de José Silva.2007
 

POR ARI DONATO

Em todas as propriedades da região desenvolvia-se o cultivo do algodão e o crescimento da cultura levou os fazendeiros a se preocuparem com a industrialização.

Nas décadas iniciais do século XX surgiram as primeiras usinas descaroçadeiras, abrindo um novo ciclo para a economia regional. Na verdade, a cotonicultura na região do São Francisco escreve sua história de mais de um século. Entretanto, somente no final dos anos de 1960 foi dada a arrancada em regime de produção mecanizada.

Por quase duas décadas, o Vale do Iuiú figurou como segundo maior produtor nacional. Tendo em vista a qualidade do solo e a topografia plana, propícias à cultura do algodão, e incentivados pela política agrária do governo federal, agricultores de varias regiões da Bahia e de outros Estados desbravaram as matas virgens do Vale do Iuiú e iniciaram a lavoura algodoeira.

Alguns exemplos foram Durval de Souza Lima, Propércio José de Barros e Joaquim Marques (de Candiba), os irmãos José, Josino e Juvêncio Neves Teixeira (de Caetité), nas décadas de 1960 e 1970 e, posteriormente, a partir de meados 1970 outros produziram em grande escala, a exemplo de Percival Barros, Carlos Bonfim, Luiz Carlos Fernandes, Aleci Prado, José Assunção, Ismael Bezerra.

Durval de Souza Lima chegou a alcançar o posto de maior produtor individual da América Latina. Ele cultivou, no início dos anos 1970, mais de cinco mil hectares, custeados com seus próprios recursos. Foi ele, também, um dos primeiros a instalar uma moderna usina beneficiadora em Candiba e Guanambi.

No decorrer das duas últimas décadas de 1900, Guanambi, fortalecida por um comércio ostensivo e diversificado, e sede das maiores usinas beneficiadoras da região, se consolidou no Norte e Nordeste do Brasil como a "Capital do Algodão", título que começou a perder a partir de 1992, com a queda na produção e a conseqüente desativação do moderno e amplo parque industrial.

Havia em Guanambi 15 usinas, das cerca de 40 existentes na região da Serra Geral, onde está o Vale do Iuiú e a região de Guanambi, totalizando 17 municípios produtores. O montante dos prejuízos é incalculável, não somente do ponto de vista econômico como também do social. Os milhares de postos de empregos extintos com o fechamento dessas usinas representam, talvez, o mais penoso de todos os danos para a sociedade regional.

O tempo das riquezas provindas do "ouro branco" acabou. A maioria das usinas está desativada ou foi vendida e reinstalada em outros estados, a exemplo de Rural, Agriverde, Sambra e Bial, transferidas para Mato Grosso do Sul |

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VISTAS DE GUANAMBI
foto ari donato.2007
Avenida Santos Dumont, a oeste

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Unidades industriais produtivas
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Centro Cultural de Guanambi