Panorâmica de Guanambi, em foto de José Silva.2007
 
 


 

POR ARI DONATO

Logo após a instalação do município, que se deu a 1º de janeiro de 1920, tomou posse, dia 2 de fevereiro, como seu primeiro intendente, o coronel Balbino Gabriel de Araújo Cajayba.

Tempos depois, o médico Francisco José Femandes, não concordando com as orientações políticas do coronel Cajayba, dividiu o grupo que tanto lutou pela criação de Guanambi em duas facções políticas.

A corrente dissidente era liderada pelo médico e reunia seus amigos, que se distanciavam cada vez mais da outra facção, representada por João Exalto de Araújo e Alípio Carlos e apoiada pelo coronel Cajayba.

Em seu livro “Guanambi Aspectos Históricos e Genealógicos”, o escritor Dário Teixeira Cotrim escreveu: “A medida que se distanciavam as opiniões dos chefes políticos, maior ficava (depois de vários anos de conturbada administração pública) o mar de lama em que vivia o município.

Crimes, prisões, corrupções, influências partidárias e políticas, fatos preponderantes que mudaram a vida pacata de seus moradores”. A primeira Câmara Municipal de Guanambi compunha-se de Alípio Carlos, Benedito Ferreira Costa, João Exalto de Araújo, José Ladim Lobo, Antônio Xavier Prates, José Vicente Costa, Gasparino Pereira Costa, Severino Vieira da Silva Neves, José de Lima Castro, Joaquim Chaves, Jonas da Cunha Viana, Antônio Alves Pereira, Hugolino Muniz Queirós, Ovídio Pereira dos Santos, Galdino José da Silva e Antônio Dias Guimarães.

Registra a história da cidade que Balbino Gabriel de Araújo e seu sobrinho João Exalto de Araújo deixaram Salvador, chegando a Caetité, a convite do português Antônio Francisco Brandão, depois desceram a Ladeira dos Brindes e fixaram residência em Guanambi. Os Araújos, descendentes de família tradicional de Queimadas, no nordeste Baiano, já lidavam, há tempos, com a política.

E, com os primeiros movimentos em favor da emancipação de Guanambi todos os seus familiares se transferiram de Caetité para Guanambi. Balbino adotou o sobrenome de Cajayba, por força da aquisição da patente de coronel, da Guarda Nacional.

Era um homem enérgico, autoritário e político. Casado com Maria Fausta Tanajura, constituiu numerosa prole. Depois de várias divergências e desentendimentos políticos com Mário Spínola Teixeira, o coronel Cajayba se transferiu para Abaíra, onde faleceu. j

João Exalto de Araújo casou-se com a prima Eunice de Castro Tanajura e tiveram seis filhos (Laura, Alzira, Iolanda, Rosa, Gilda e Gileno). Foi intendente de Guanambi (1921 a 1924). Com a retirada do coronel Cajayba, também abandonou a vida política, indo pra Abaíra. Mário Spinola Teixeira nasceu em Caetité, filho de Deocleciano Pires Teixeira e Maria Rita de Souza Spínola. Concluiu os primeiros estudos em Caetité, tendo se diplomado em Engenharia Agrícola, em Salvador.

Casou-se com Virgínia Gomes de Oliveira Teixeira, com quem teve cinco filhos. Em 1912, os Teixeiras estabeleceram a primeira usina para beneficiamento do algodão na região, conhecida pelo nome de Empreza. Eleito intendente (1924 a 1928), travou lutas armadas com o coronel Cajayba, João Exalto e o médico José Fernandes.

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foto ari donato.2007
Sede da Prefeitura Municipal, no Centro Administrativo
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DOMINGOS ANTÔNIO TEIXEIRA
Domingos Antônio Teixeira, Teixeirinha, como era conhecido, nasceu em 21 de junho de 1903. Era filho de Antônio Othon Teixeira e de Mariana da Silva Teixeira. Em 1917 iniciou os estudos no Instituto Luiz Gonzaga, em Caetité, dedicando-se, nesta época, à vida de seminarista, o que veio a reforçar o seu já imenso gosto pela leitura e escrita. Voltando à terra natal, conheceu Maria Alice, com quem se casou e teve nove filhos: Ida, Lino, Idalino, Idal, Ina (mãe do jornalista Ari Donato), ldalício, Antonio, Terezinha e Idalcino. A família residiu em Ceraíma até 1939, quando se transferiu para Vila Bela de Umburanas (atual Guirapá).
Ainda no mesmo ano, estabeleceu residência em Malhada, município de Carinhanha, onde esteve até dezembro de 1941, época em que, definitivamente, fixou residência em Guanambi. Ocupou o cargo de secretário da Prefeitura de Guanambi e dedicou vários anos de trabalho em benefício da cidade e região. Foi por três vezes prefeito de Guanambi, vindo a se aposentar, em 1973, como secretário municipal, o seu cargo de origem. Faleceu em 30 de novembro de 1976, em Guanambi. Depois, faleceu sua esposa, Maria Alice.
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LÍDERES POLÍTICOS
Logo após a instalação do município, que se deu a 1º de janeiro de 1920, tomou posse, dia 2 de fevereiro, como seu primeiro intendente, o coronel Balbino Gabriel de Araújo Cajayba. Tempos depois, o médico Francisco José Femandes, não concordando com as orientações políticas do coronel Cajayba, dividiu o grupo que tanto lutou pela criação de Guanambi em duas facções políticas. A corrente dissidente era liderada pelo médico e reunia seus amigos, que se distanciavam cada vez mais da outra facção, representada por João Exalto de Araújo e Alípio Carlos e apoiada pelo coronel Cajayba. Em seu livro “Guanambi Aspectos Históricos e Genealógicos”, o escritor Dário Teixeira Cotrim escreveu: “A medida que se distanciavam as opiniões dos chefes políticos, maior ficava (depois de vários anos de conturbada administração pública) o mar de lama em que vivia o município. Crimes, prisões, corrupções, influências partidárias e políticas, fatos preponderantes que mudaram a vida pacata de seus moradores”.
A primeira Câmara Municipal de Guanambi compunha-se de Alípio Carlos, Benedito Ferreira Costa, João Exalto de Araújo, José Ladim Lobo, Antônio Xavier Prates, José Vicente Costa, Gasparino Pereira Costa, Severino Vieira da Silva Neves, José de Lima Castro, Joaquim Chaves, Jonas da Cunha Viana, Antônio Alves Pereira, Hugolino Muniz Queirós, Ovídio Pereira dos Santos, Galdino José da Silva e Antônio Dias Guimarães. Registra a história da cidade que Balbino Gabriel de Araújo e seu sobrinho João Exalto de Araújo deixaram Salvador, chegando a Caetité, a convite do português Antônio Francisco Brandão, depois desceram a Ladeira dos Brindes e fixaram residência em Guanambi.
Os Araújos, descendentes de família tradicional de Queimadas, no nordeste Baiano, já lidavam, há tempos, com a política. E, com os primeiros movimentos em favor da emancipação de Guanambi todos os seus familiares se transferiram de Caetité para Guanambi. Balbino adotou o sobrenome de Cajayba, por força da aquisição da patente de coronel, da Guarda Nacional. Era um homem enérgico, autoritário e político. Casado com Maria Fausta Tanajura, constituiu numerosa prole. Depois de várias divergências e desentendimentos políticos com Mário Spínola Teixeira, o coronel Cajayba se transferiu para Abaíra, onde faleceu. João Exalto de Araújo casou-se com a prima Eunice de Castro Tanajura e tiveram seis filhos (Laura, Alzira, Iolanda, Rosa, Gilda e Gileno). Foi intendente de Guanambi (1921 a 1924).
Com a retirada do coronel Cajayba, também abandonou a vida política, indo pra Abaíra. Mário Spinola Teixeira nasceu em Caetité, filho de Deocleciano Pires Teixeira e Maria Rita de Souza Spínola. Concluiu os primeiros estudos em Caetité, tendo se diplomado em Engenharia Agrícola, em Salvador. Casou-se com Virgínia Gomes de Oliveira Teixeira, com quem teve cinco filhos. Em 1912, os Teixeiras estabeleceram a primeira usina para beneficiamento do algodão na região, conhecida pelo nome de Empreza. Eleito intendente (1924 a 1928), travou lutas armadas com o coronel Cajayba, João Exalto e o médico José Fernandes.
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CONTEMPORÂNEOS
Nilo Augusto Moraes Coelho (1943) - Natural de Guanambi. Filho do deputado Gercino Coelho (falecido em 11 de setembro de 1950, em Bom Jesus da Lapa). Assumiu o gerenciamento dos negócios da família ainda jovem, após a morte do pai, dividindo as responsabilidades com o irmão mais velho, Roberto Coelho. Um dos pioneiros na cultura de grãos no Estado, Nilo Coelho foi dos primeiros a apostarem na agricultura irrigada e em vários outros experimentos. Como empresário, atua na área industrial, de revenda de automóveis, distribuição de bebidas e de comunicações.
Foi eleito prefeito de Guanambi em 1982. No ano seguinte assumiu a presidência da União dos Prefeitos da Bahia, se projetando no Estado. Em 1985 renunciou aos cargos de prefeito de Guanambi e de presidente da UPB para integrar a chapa do PMDB na disputa do governo do Estado, ao lado de Waldir Pires. Eleito vice-governador, acumulou durante um ano a vice-govemadoria com a Secretaria das Minas e Energia. Em 15 de maio de 1989, com a renúncia de Waldir Pires, assumiu o governo do Estado, ficando no cargo por dois anos. Foi deputado federal e em outubro de 2004 eleito novamente prefeito de Guanambi, para o período 2005/2009.
 
foto ascom.1989
 
Hildevaldo Alves Boa Sorte (1937) - Natural de Guanambi. Filho de Leonidio Alves Boa Sorte e Amélia de Castro Boa Sorte . Cursou o primário no Grupo Escolar Getúlio Vargas, Guanambi (1953), o secundário no Colégio Estadual da Bahia, em Salvador (1961) e o curso de Direito pela Universidade Federal da Bahia, em Salvador (1967).
Em Guanambi, foi procurador do município (1984-1986, primeiro presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), presidente da Telefônica Guanambi SA (Tegusa) e vice-diretor do Colégio São Lucas. Foi vice-prefeito de Guanambi em duas ocasiões: de 1977 a 1983 e de 1989 a 1990. Foi deputado estadual pelo PMDB, de 1991 a dezembro de 1992, quando assumiu a prefeitura de Guanambi (1993 a 1997).
Na Assembléia Legislativa foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça (1991-1992), vice-presidente das Comissões de Minas, Energia, Ciência e Tecnologia (1991-1995) e Especial para Consolidação das Leis Estaduais (1991-1992) e suplente das Comissões de Elaboração das Leis Complementares (1991), Desenvolvimento da Região do São Francisco (1991), Fiscalização e Controle (1991-1992) e CPI do Hospital da Mulher de Feira de Santana (1992). A partir de 1997 passou a advogar no município.
 
foto arquivo do autor.1991
 
* Lino Teixeira, vereador de 1951 até 1988.
* Jonas Rodrigues da Silva, farmacêutico, prefeito
* Enedina Costa de Macedo, professora, educadora, diretora do Colégio São Lucas, nasceu em Guanambi, em 1917.
* Nice Amaral Baleeiro, professora, educadora, criadora da Fundação Joaquim Dias Guimarães
* Ezequias Manoel Cotrim (Quias), comerciante, empreendedor, vereador
* Walter Alves Boa Sorte, comerciante, empresário
* Yolanda Prado Martins, professora, educadora
* Celestino Oliveira Pinheiro, padre, educador e pároco de Guanambi na década de 1950.
* Nelsa Luzia Teixeira, professora, educadora, nascida em Ceraíma, em 1916.
* Nilza Fernandes Cardoso, professora, educadora, nasceu em 1931.
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OUTROS NOMES
 

PEDRO LOPES TEIXEIRA - Professor Pedro, como era mais conhecido, se destacou pelas suas aulas de Organização Social de Política Brasileira (OSPB), no Colégio São Lucas, onde formou gerações, ministrando princípios de moral, ética e cidadania. Era filho de Manoel Lopes Teixeira e de Carolina de Souza Teixeira e casado com Amery Dalva Teixeira, com quem teve cinco filhos. Diplomou-se professor pela Escola Normal de Caetité, em dezembro de 1943. No ano seguinte transferiu residência para a cidade de Anchieta (atual Piatã), onde lecionou e chegou a ser vereador, entre 1958 e 1962, tendo recebido o titulo de cidadão. Voltou para Guanambi, assumindo o cargo de vice-diretor e professor do Ginásio São Lucas, tradicional educandário da rede particular da cidade. Nasceu em Guanambi, em 14 de agosto de 1915, e faleceu em 2002.

WANDA NEVES FREITAS DE LÉLIS - Era filha José Troiano de Freitas e Maria Regina Neves de Freitas. Professora, diretora do Grupo Escolar Getúlio Vargas e vice-diretora do Colégio Luis Viana Filho, foi uma das conhecedoras da história, costumes e lendas de Guanambi, consagrando-se como uma das principais folcloristas do município. Ao lado de Guiomar Teixeira, promoveu o Carnaval em Guanambi até o final da década de 1960. Os primeiros bailes foram na Sorveteria Dois de Julho, no começo dos anos 1940. A década de 1960, com a criação da Associação Guanambiense de Cultura e AssistÊncia Social (ou Clube da Praça da Igreja), foi o tempo áureo dos carnavais promovidos pela professora Wanda, um trabalho feito com amor e dedicação, que a cidade ainda não reconheceu. Casada com Edson Wilson de Lélis, teve cinco filhos. Nasceu em Caetité, dia 1º de janeiro de 1923 e faleceu em Guanambi, em agosto de 2002.

 
* Tenente Ovídio Pereira dos Santos (1888-1978) - Natural de Caetité. Exerceu os cargos de tesoureiro da Prefeitura Municipal e de delegado de Policia. Foi proprietário do primeiro hotel em Guanambi: Hotel Brasil, na Rua Dois de Julho. Até então, o destaque era a pensão de Siá Tuta (Maria da Glória Bezerra).
* Lauro Teixeira da Silva (1918-1970) - Natural de Palmas de Monte Alto. Ingressou na Prefeitura Municipal, em 1938, na função de contador.
* Teobaldo Andrade (1917-1973) - Natural de Macaúbas. Na Prefeitura Municipal de Guanambi exerceu o cargo de fiscal de rendas, mas se destacou no comércio como comerciante e alfaiate. Instalou a primeira livraria (Livraria Andrade), na Rua dos Expedicionários, 146.
* Otelino Ferreira Costa - Nasceu em Guanambi, onde completou os primeiros estudos. Fixou residência em Mucugê, na Chapada Diamantina, como escrivão da Coletoria Estadual, em 1941. Chegou a ser suplente de juiz de Paz, em 1931. Em Guanambi, foi vereador, de 1955 a 1959, sempre uma voz respeitada na tribuna.
* Gileno Pereira Donato - Natural de Guanambi. Formado em Odontologia, em Diamantina (MG), em 1960. Foi vice-prefeito, depois prefeito de Guanambi, quando substituiu Nilo Coelho. Popular, empreendedor, sonhava em formar um grupo com a denominação de Partido dos Políticos Independentes. Faleceu antes.
* Vilobaldo Neves Freitas - De formação pedagógica, foi professor na região até se envolver com a política partidária. Chegou a deputado estadual, com serviços relevantes prestados à região, notadamente na área da educação, sempre lutando pela criação e instalação de escolas e ginásios.
* José Humberto Nunes - Nasceu em 1926, em Salvador, onde se formou em Medicina.Transferiu-se depois para Guanambi. Foi prefeito da cidade em três ocasiões. Médico humanitário, suas ações ainda estão vivas na memória da população da cidade. Faleceu em Salvador, em abril de 2001. 
* Benjamim Vieira Teixeira - farmacêutico, prefeito, vereador.
* Joaquim Fernandes - comerciante, prefeito, delegado, chefe político.
* José Neves Teixeira (Binha) - comerciante, líder político, prefeito.
* Altímio Elísio da Silva (Tinuca) - líder político, delegado.
* Braulino Pereira Donato - comerciante, empreendedor, delegado.
* Pedro Francisco Moraes - líder político, delegado. Avô do ex-governador Nilo Coelho.
* Álvaro dos Santos Moreira (Lolozinho) - comerciante, empresário. Instalou a primeira sorveteria (Sorveteria Dois de Julho), com música ambiente e serviço de alto-falante. Nascu em 1916 e faleceu em 1999.
* Sinésio Bastos - comerciante, empresário, empreendedor.
* Flávio David Guimarães - músico, saxofonista de formação jazzística. Nasceu em 1899 e faleceu em 1984.
* Isaac Moura Rocha - Empresário, empreendedor e um dos primeiros a possuir um avião na região.
* Sabino Aureliano Cotrim, comerciante, herói de guerra, ex-integrante da FEB, lutou na segunda guerra, na Itália.
* Dionísio de Brito Vilas-Boas - vereador (1977-1982), figura ligada ao futebol guanambiense e incentivador de movimentos musicais.
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JOSÉ HUMBERTO NUNES

POR ARI DONATO
Em A TARDE MUNICÍPIOS, dia 26 de abril de 2001 - Suplemento do jornal A TARDE, Salvador

Dias antes de raiar o 16 de abril, quando completaria 75 anos, o médico José Humberto Moreira Andrade Nunes faleceu na UTI do Hospital Português, em Salvador. Seu sepultamento foi no mesmo dia, no Campo Santo, cercado de parentes, amigos e dezenas de guanambienses, que deixavam transparecer a dor pela perda de um dos mais expressivos profissionais e homens públicos que Guanambi já teve em toda a sua história, desde que o município foi criado, em 1919. José Humberto Nunes chegou a Guanambi no início dos anos 1950, recém-formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, com os pais José Francisco Nunes e Idalice Moreira Andrade Nunes. O seu pai, um empreendedor português, foi proprietário da primeira banca de revistas na cidade, numa época em que a comunicação com os grandes centros urbanos era extremamente difícil. Mas, a formação humanista que deu ao filho foi o maior legado que deixou para a cidade.   
Atendendo a pessoas carentes das zonas urbanas e rurais de cerca de 10 municípios da região, José Humberto (Zombérto, na corruptela do sertanejo) destacou-se por combater não apenas a doença, mas, na medida do possível, suas causas. Costumava responder a quem lhe pedia que aviasse “um fortificante ou uma vitamina”, que tudo que precisava “estava na quitanda, na esquina: banana, manga, laranja, tomate, ovos, abóbora”. Aos mais necessitados, ele dava os medicamentos vitais.   
Amado pelo povo, foi eleito prefeito em três ocasiões. A primeira (1955 a 1959), foi a quinta pelo voto direto da história do município, que até então tivera a maioria de seus prefeitos nomeados. As outras foram nos períodos de 1963 a 1967 e 1971 a 1973. Administrando um município recém-emancipado e de poucos recursos, distante do centro do poder estadual e padecendo de uma comunicação eficiente, José Humberto preferiu investir no social, voltar para um combate mais eficaz às endemias. 
Suas administrações foram marcantes. Em 1967, ao encerrar o segundo mandato, apoiou o secretário municipal de Administração, Jonas Rodrigues da Silva, que foi eleito prefeito (1967 a 1971). Depois, candidatou-se e foi eleito para o terceiro mandato, que encerrou em 1973, deixando, como sucessor, novamente, seu secretário Jonas Rodrigues da Silva, proprietário de uma farmácia e, também, afinado com uma administração voltada para atendimento aos mais carentes. Em Guanambi, onde viveu por quase 30 anos, José Humberto trabalhou como médico pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), depois Superintendência do Vale do São Francisco (Suvale) e, atualmente, Companhia do Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), e pela Secretaria de Saúde do Estado. No final de 1973, transferiu-se para Salvador, sua cidade natal. Já na capital, trabalhou no Serviço Médico da Universidade Federal da Bahia por muitos anos, tendo sido seu diretor durante quase uma década. Sua esposa, Maria de Lourdes Nunes, realçou as qualidades do marido, “médico competente, humilde e dedicado, político honesto, leal e digno, extraordinária figura humana, que deixou aos seus um legado de honra, bondade, força e amor” |

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